Storytelling não é sobre você

A timeline do Linkedin é um dos lugares mais interessantes da internet para quem quer posicionar-se profissionalmente, criar conteúdo e obter uma comunidade de pessoas em volta de si ou da sua marca. Eu mesmo sou um grande case de posicionamento a partir da construção de conteúdo que me rendeu um Top Voice e mais de 360 mil seguidores.

O Linkedin é uma das redes que mais cresce, no entanto, é fácil compreender os muitos fatores que contribuíram para isso. O alto índice de desemprego crescente no país e o constante êxodo geral de usuários das outras redes sociais mais popularescas tem feito as pessoas olharem mais para esta plataforma de negócios em formato de rede social.

O Linkedin tornou-se a rede principal de consumo diário de muita gente, mas também um meio de conhecer novos profissionais e de descobrir informações sobre mercados e negócios.

Quando falamos de conteúdo, o Linkedin ainda é um bom lugar para se frequentar. No entanto, pontuo aqui que há uma nova moda surgindo por aqui que precisamos conversar sobre ela. Ultimamente, tem crescido abundantemente um tipo específico de publicação. A nova obsessão é o seguinte:

Criar posts em formato de historinhas que retratam pequenos recortes de um episódio do dia-dia, sempre com um apelo emocional, com uma narrativa apelativa e que no final emplacam uma lição de moral, para uma auto-afirmação ou uma autopromoção velada.

Senta que lá vem história

Tenho estudado muito sobre Storytelling. Não só porque este tem sido o objeto do meu trabalho diário, mas porque eu sempre me interessei por narrativas. Posso afirmar que o que estão fazendo no Linkedin não é Storytelling. Pelo menos não como deveria ser.

Embora com este truque seja possível criar valores, gerar engajamento, fidelizar e conquistar certo público para trazer percepção positiva, contar histórias não pode ser uma maneira de banalizar a verdade, fantasiar e relativizar conteúdo.

Storytelling é, sobretudo, entregar um poder real nas histórias. É um técnica muito mais complexa e poderosa do que simplesmente criar histórias bonitinhas para caçar likes.

Há uma terrível corrida por números dentro da rede. Tanto é que muitas pessoas perdem mais tempo buscando técnicas de burlar o sistema que necessariamente fazendo um bom conteúdo. Para alcançar mais publico, vale tudo. Desde que o contador de seguidores aumente, tudo é possível para essa gente.

No meio disso tudo, vamos falar sobre alguns detalhes importante sobre esta técnica:

Storytelling é sobre o público e não somente sobre você

Qualquer história que queremos contar precisa ter um objetivo inteligente. Não podemos simplesmente acreditar que engajar pessoas é falar o tempo todo sobre si para que elas admirem-nos. O alvo da mensagem é o mais importante.

Contar boas histórias é ter a capacidade de conversar com o outro. O desafio por trás dessa técnica é justamente conseguir atingir pessoas e suas emoções para gerar valor de maneira orgânica. Não é se promover.

Acredite, seu publico percebe quando você está tentando mascarar uma história para promover-se, e aí, tudo que conseguirá é justamente o contrário da empatia.

Se você quer aprender a engajar pessoas ao invés de somente angariar seguidores para ostentar no mundo digital, acredito que precisa antes saber que a internet não é um vale tudo por um pouco de atenção.

Comece de maneira inteligente

A grande lógica do storytelling é a construção de um conteúdo que seja capaz de conversar com o seu publico, bem mais do que falar sobre si, sobre seu produto, sobre seu serviço e sobre sua marca.

Para construir uma história excelente, faça uma introdução inteligente. O início da história é o mais importante, é ali que vai segurar a audiência. Invista um bom tempo tentando entender como pode gerar curiosidade neles. Mas faça isso sem truques baixos. Seja honesto criando bons gatilhos.

No começo, é importante apresentar as peculiaridades dos personagens de modo que sua audiência se identifique com aquilo. Para isso, você precisa demonstrar as características e os contextos que estão envolvidos na história.

Lembre de falar sobre os problemas e as motivações que serão primordiais para entender a evolução das suas jornadas, mas sem vitimismo, sem marketing escondido. Aproveite esta introdução para criar uma conexão emocional com a audiência. (Repito: Sem exageros).

Trabalhe com a perspectiva do espectador sobre uma determinada realidade que ele conhece e tente entendê-lo realmente para fazer com que ele tenha interesse naquilo que você vai apresenta. O jeito mais fácil de mandar alguém não prestar a atenção é ser egocêntrico.

Foque na empatia verídica, palpável e factual para causar a impressão correta de conexão. Fale do abstrato, mas sempre aprontando para uma realidade concreta. Fale sobre ele.

Trabalhe sempre com um problema

Há sempre um desafio para qualquer história. O conflito é o que faz a coisa ficar cada vez mais interessante. Demonstre sempre, de maneira clara, qual são os problemas que estão o impedindo ele de alcançar o objetivo. E resolva isso.

Lembre-se que precisa pensar em problemas que sejam realmente importantes para eles. Ele não quer saber dos seus. E, NUNCA, nunca crie ou exagere algo que fique fora da realidade concreta deles. Seja capaz de deixar claro como pode enfrentar e transformar a jornada de alguém de maneira real.

Apresente sempre como ele consegue obter novos conhecimentos, novas ideias de realidade e buscar ferramentas reais para uma solução viável. Evite fazer como as narrativas já desgastadas como as da publicidade atual, que ainda adoram a estratégia de apresentar um mundo irreal ou fora do contexto claro de realidade.

Basta ver um comercial de margarina para identificarmos que nossas famílias não são perfeitas assim, o que pode parecer desejo para alguém é um senso de inadequação para outros.

Tente fazer com que a sua história gere valor visível

Jamais faça do seu produto uma solução direta como quem vende um produto na propaganda de TV. Trabalhe bem dentro de uma narrativa passando pelas motivações e emoções.

Dê motivos reais e práticos para que ele alcance seus objetivos e vença os problemas concretos. Não seja irritante. Não faça sensacionalismo.

Não fale de realidades hipotéticas de maneira exagerada. É justamente a maneira de apresentar um problema que guiará sua audiência na trilha do interesse. Mostre uma realidade concreta e dura, mas mutável.

Se você não fazê-lo identificar-se com esse problema, não terá o engajamento dele nunca. Alinhe seu conteúdo com os desafios dele, mas nunca de maneira artificial, seja capaz de gerar valor para ele ao invés de ficar se gabando.

Demonstre um mundo de possibilidades

A grande beleza da história é justamente poder criar universos de possibilidades infinitas. Após vencer os desafios e problemas, os personagens voltam ao seu ponto de origem. É hora de atacar com novas possibilidades.

Exponha novas coisas que ele ainda não pensou. Sejam habilidades ou conhecimentos, seja sobre do ambiente ou de soluções que ele ainda não tenha pensado. Ao resolver o problema para ele, mostre que houve uma mudança real na vida.

Em outras palavras, deixe claro como o seu produto, serviço ou marca podem transformar a vida da sua audiência. Com boas histórias e com o foco no seu publico, a mente dele não pensa mais sobre preço ou características, agora, estamos falando a ele sobre como diminuir uma dor real dele.

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