O que ninguém te conta sobre o cansaço que o amor moderno traz

Boa parte do amor é euforia. No entanto, nos dias de hoje, nem tudo acaba bem quando um amor demonstra empolgação demais. Explico. Entendemos que “amar demais” é um problema e leva fatalmente ao fim de um amor.

É claro que você já viveu aquele sentimento de conhecer alguém, sentir que seu coração foi invadido por algo bom, ter a impressão de que poderia muito bem permanecer na companhia daquela pessoa para a vida toda, mas inexplicavelmente ver um dos dois optar por, diante do crescente interesse em ficar juntos, diminuir drasticamente a velocidade e o andamento de um relacionamento.

Chega um momento em que ambos colocam tudo em marcha lenta e passam a economizar afetos, medir palavras, evitar exposições sentimentais, e com isso, induzir um coma proposital e induzido aos amores recém nascidos. 

 Eu te digo de cara — e sem medo de errar — que: Isso tudo é puro medo. Na verdade, são tipos de medos:

(1) Aquele mais clássico de investir profundamente numa relação e ter que assistir tragicamente algo sair errado no futuro, e não dar conta do esforço maior que é recuperar-se. É aquele medo de um desconhecido sentimento previamente projetado;

 (2) E o outro terror comum diz respeito a ter o receio de mudar toda a sua vida em função de uma nova experiência de amor. Isso é, já que os dois deram tão certo, um deles acredita que não dará conta de manter aquilo, ou que não quer abrir mão de outras escolhas, e agora, só pensa em aproveitar o tempo que der — e geralmente é pouco — para depois fugir de maneira discreta daquela “pressão”.

As situações flagrantes acima, apenas demonstram que estamos no mundo em que expor emoções demais num relacionamento pode despertar medos bobos nas pessoas e criar uma relação medrosa fadada ao insucesso antes mesmo da sua vida. 

A lógica moderna é uma só: se importar ou não

É bizarro pensar assim, mas receio em dizer que esta é esta a maior das realidades no que se trata de relacionamentos atuais:

Quanto menos se importa com alguém, mais amarrado a pessoa pode sentir-se a você. Quanto mais se dedica a externar sentimento, menos interessadas as pessoas podem ficar em você.

A questão que envolve toda essa situação é mais complexa ainda. Ela torna pessoas boas em reféns, e as intenções sinceras de amor são sempre menosprezadas. 

Conheci uma história, outro dia, de uma pessoa que me disse: “Bem, ele é uma pessoa boa, um sujeito realmente querido, não me faz mal algum, sempre está aqui quando eu preciso, eu até gosto de estar perto dele, de rir e ver o quanto ele é um amorzinho, mas sabe, não gosto de como ele se dedica a mim e não sei se quero ficar com ele por isso. Talvez ele mereça alguém melhor que eu.”

Este comportamento é assustadoramente comum. Mas, creio que aprender a amar alguém não deveria ser um sacrifício. Se alguém, voluntariamente, insiste em permanecer te amando, você não deveria sentir-se mal com isso.

Mas por quê preferimos alguém que vive jogando psicologicamente conosco?

O lance está em quebrar padrões. Amores desastrosos nos atraem por causa disso: Queremos barreiras. Queremos nos sentir confusos. Isso nos dá a sensação de vitalidade.

Quando temos um amor muito “perfeito”, nosso cérebro tende a gerar a sensação ruim de desconforto que a falta de nos traz. Temos a ideia meio de que “merecemos o amor que conquistamos”, e isso, justifica a nossa busca e permanência dentro de um amor confuso ou inexato.

Apesar disso, creio que se você tem que procurar razão para amar alguém em lugares além da satisfação e da reciprocidade, isso por si só, deveria te mostrar a não investir um minuto a mais naquilo.

Se você tem que perguntar-se se alguém é a pessoa ideal para você, então é bastante provável que você não goste dessa pessoa, mas sim do que ela pode ou oferece para você. Eu sei, a denúncia aqui é grave.

Como (tentar) lidar com essa questão

A coisa mais importante é você sempre saber em que estágio está com a outra pessoa e respeitar este degrau. 

Não estou falando de ter que necessariamente rotular um determinado status, mas sim em compreender que se estão juntos para construir algo, os dois precisaram investir naquilo igualmente. Agora, se simplesmente não significam nada para o outro, ter coragem de ser honesto.

Ninguém deveria estar investindo tanto tempo e energia em algo que não tem reciprocidade.

Além disso, existe aquilo que chamamos de responsabilidade afetiva, ou seja, é inevitável relacionar-se com alguém a fim de construir algo positivo nela e ela em você de maneira indiferente.

É ser humano o suficiente para responsabilizar-se pelos sentimentos que pode causar no outro e aprender a gerir expectativas que naturalmente cria em outros.

Basicamente, é saber se colocar no lugar do outro e entender o que ele espera de você, não só para retribuir naturalmente, mas porque é o que você identifica que também quer.

Quando conhecer alguém, por favor, apenas seja gente

O mais importante quando você conhece alguém e acredita que podem evoluir para algo realmente significativo é ter cuidado sim com a velocidade das coisas andando sempre no ritmo certo, mas administrar nossos medos convencionais e fazer questão de entender o do outro.

É, essencialmente, aprender a não esconder sentimentos por capricho, a não fingir emoções para persuadir, a ter coragem de ser a gente mesmo sem que isso danifique o outro, a não tomar decisões antecipada sem antes conversar com a outra pessoa, a não deixar as impressões e preconceitos pessoais falarem mais alto.

E por último, aprender que fazer questão de estar sempre no mesmo nível de afeto que o outro precisa não é trair-se, mas sim doar-se para um fdesejo mútuo. Você sempre pode fazer mais do que acha que pode.

O que ninguém te conta sobre o cansaço que o amor moderno traz é que estamos tornando algo profundamente bom em um fardo mental muito grande para nós e para os outros.

O amor moderno precisa urgente de uma reciclagem mental. E necessariamente, tem que sair da mentalidade individualista e ser mais generoso com o outro.

Amar a si mesmo não é amar-se mais do que ama o outro, mas é amar-se, fundamentalmente, enquanto também ama o outro.

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