Por que sua vida é chata (e você provavelmente não vai fazer nada para mudar)

“Chega logo Sexta, sua linda.” postou uma colega na sua timeline. Achei cômico, mas fiquei me perguntando se existia uma mensagem real por de trás daquela inofensiva piada manjada.

Bem, não é preciso ir muito longe para notar a insatisfação, sobretudo dos jovens, com o nosso modo de vida. Converso com amigos que sempre me queixam que perderam a motivação de viver, trabalhar, estudar e existir.Tudo está sem forma e sentido. O que aconteceu?

Creio que não trata-se de uma depressão coletiva e generalizada, mas tenho a sensação de que precisamos superar este modelo. A constante sensação de falta de tempo por nos sujeitar a sermos seres multi-tarefas, condição tipicamente louvada no momento que estamos, está atrapalhando nosso maneira de ver a vida.

Nada escapa dessa desmotivação universal. Estamos decepcionados em nossos relacionamentos afetivos porque além de buscarmos um ideal inalcançável, ficamos aguardando relações perfeitas que não existem. Isso acaba em desencantamento. Nenhuma pessoa parece ser interessante para nós. É sempre alto/magro/baixo/gordo demais. Exageradamente pegajoso, embaraçosamente livre. Estamos esperando o que nunca virá.

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No trabalho, temos sempre a sensação de que temos corrido atrás de um lugar inatingível. Nos sentimos obrigados a levantar e cumprir as oito horas diárias, a fazer os maçantes cursos motivacionais promovidos por recursos humanos que não saíram da década de 90, temos que aguentar os chiliques dos chefes obcecados pela grana e que ainda mandam e-mail abusivos cobrando metas/resultados absurdos. E o mais triste é que temos que fingir produtividade e forjar uma alegria para não sermos demitidos. Desejamos empreender, mas somos desencorajados porque temos que pagar as contas de casa. Queremos pedir demissão, mas os boletos nos fazem não ter coragem de se repensar. Encarar uma outra profissão nunca é possível.

Culturalmente, estamos rasos. As universidades não estão comprometidas com o ensino genuíno, mas sim com seus formatos de ensino vagos e com seu único viés doutrinário individualista, monetizável e não-colaborativo para formar robôs. Só de pensar em pós-graduação já temos preguiça. A americanização do cinema é irritante. As músicas obscenas enjoam. Os livros mais vendidos são feitos pelos homens mais charlatões que se tem conhecimento.

A política foi assassinada pelo ceticismo clarividente e pela polarização partidária doentia que nos empurra para radicalismos insuportáveis. Cada vez que ouvimos algo sobre o assunto, temos apenas vontade de abrir uma cerveja e ligar a Tv em qualquer dos mais de 600 canais inúteis que assinamos.

A espiritualidade já alcançou um ceticismo absurdo e não levamos mais a sério o que não podemos ver. Pensar na hipótese de transcendência é coisa exclusivamente de monge tibetano. A ideia de deus virou uma obra de Monteiro Lobato. Igreja virou sinônimo de arapuca e líderes religiosos sinônimo de canalhice. Não se tem mais fé em nada a não ser no próprio ser humano que não consegue sequer controlar um músculo do esfíncter para acabar com uma diarreiazinha qualquer.

Ganhar dinheiro nunca foi tão difícil. Dez dias depois do salário o menino que faz malabares na rua é mais rico que você. Verba sempre nos falta por mais que investimos bastante tempo em ganha-lo. Quanto mais recursos conseguimos, menos podemos aproveitar.

A família mudou. Os primos já não arrancam tampão dos dedos nos quintais. As mães já não deixam de castigo. Os pais já não falam “não”. Tragicamente, só nos restou imagens brilhantes de “Bom dia” nos grupos de Whatsapp.

Fazer uma viagem é o novo sonho de consumo. Mochilão é a nova meta de vida. Ter um pouco de lazer é um luxo. Não porque é caro, mas porque não temos mais tempo.

A vida pessoal não tem particularidades. Tudo é publico. Tudo é social. Tudo é compartilhável, postável, tuitavel, blogável, curtível. Nós não vamos na academia se ela não tiver wi-fi. Trocamos a rede entre os coqueiros pela rede de computadores.

Não. Não sou um profeta do caos e esse não é um texto apocalíptico. Não vou culpar o capitalismo pela falta de empatia, as redes sociais pela falta de afeto, os pais pela falta de educação, o governo por falta de recursos, a mídia pela falta de informação, os políticos pela falta de decoro, a Deus pela falta de gente humanizada, a culpa é toda nossa que escolhemos não sair do lugar comum.

Não há esperanças para quem é apenas um consumidor passivo de tudo que lhe é oferecido. Não há como sair dessa, exceto se refazermos o caminho na contra-mão. E para isso acontecer, a gente tem que começar de algum lugar.

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